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Canteiro 4.0

Opinião | Prof. Dr. Fabiano Corrêa, Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica - USP

A integração de novas tecnologias tais como a Internet das Coisas, a Manufatura Aditiva, a Analítica de Big Data, dentre outras, tem provocado uma transformação nas indústrias de manufatura e dado origem ao paradigma da Indústria 4.0. A concretização deste paradigma passa pela personalização em massa, digitalização do produto e dos processos de produção, engenharia de ponta-a-ponta e pelo uso de sistemas flexíveis de produção capazes de se auto ajustarem a fim de viabilizar a otimização dos processos.

Mas, qual o impacto deste cenário na Indústria da Construção? O que viria a ser um Canteiro 4.0?

Considerado o amplo espectro de possibilidades, a depender do atual estágio de industrialização dos mercados de Construção mundo a fora, será possível observar diversos arranjos do Canteiro 4.0, conforme diferentes tecnologias sejam, no caso brasileiro, lentamente incorporadas.

O avanço impactante da Modelagem da Informação da Construção (BIM) nos escritórios de Arquitetura, nas empresas de Engenharia e nas Construtoras (Estágio 1), somado aos usos mais correntes dos modelos digitais produzidos, leva a acreditar que qualquer tecnologia que possa alimentar estes modelos com mais dados poderá ser rapidamente incorporada de modo a gerar resultados visíveis e muito relevantes para a melhora do desempenho. Por exemplo, os sensores que permitem o monitoramento das atividades no canteiro e, assim, resultam em um controle mais preciso do andamento da obra, da localização das equipes de trabalho, dos materiais e equipamentos no canteiro, quando conectados à Internet (IoT – Estágio 2), permitirão com um baixo nível de investimento, elevar a qualidade do produto que será entregue.

O Canteiro 4.0 deve ser mais um local de montagem de componentes da edificação do que de fabricação in-loco, privilegiando projetos modulares que consideram um emprego mais expressivo de elementos pré-fabricados (Estágio 3). As frentes de trabalho terão ao seu dispor cada vez mais aparatos e dispositivos elétricos e eletrônicos, tanto para trazer o BIM ao canteiro, quanto para alimentar os modelos e o sistema de gestão da Construção. Até chegar ao momento em que poderão ser integrados neste cenário (caracterizado pela estruturação e automação a exemplo das chamadas “Sky Factories” de empresas japonesas) máquinas e robôs (Estágio 4) que, por sua vez, serão capazes de realizar parte das tarefas, de modo a melhorar a segurança nos canteiros, a qualidade dos serviços prestados, e a produtividade da Construção no geral.

Antes de mais nada, o Canteiro 4.0 é um local de integração de tecnologias de produção e informação, adequado a um produto que apesar de industrializado, é fabricado sob demanda e personalizado segundo as especificidades dos proprietários. Não é só o canteiro que é transformado, mas toda a organização desta indústria e as relações dentro da cadeia produtiva.